quinta-feira, 4 de outubro de 2012

A midiocracia e o porquê de haver debate.


Por: EVERTON PEREIRA
Em: Butiá Notícias (28-29/09/2012) ´

Aquilo que julgamos grandioso demais e muito distante de nossa realidade pode ter uma relação direta em nossa vida cotidiana. Coisas que assistimos pela televisão ou acompanhamos pela internet em grandes centros urbanos ou em distantes países podem também estar acontecendo bem debaixo de nosso nariz se nos dermos conta. O macro pode e tem reflexo no micro e vice versa. Falo aqui do problema crônico que vivemos há décadas no Brasil em relação a democratização das políticas de comunicação que leva a monopolização e a formação de conglomerados de mídia. Grupos estes que se mobilizam ferozmente a qualquer movimento que indique mudanças na correlação de forças no setor de comunicação neste país. Segundo Venício Artur de Lima, colunista da Carta Capital e do Observatório da Imprensa e um dos maiores estudiosos e especialistas brasileiros em política de comunicação, a forte monopolização do setor em nosso país é um empecilho para a consolidação da democracia e um impedimento para que várias opiniões possam se manifestar no debate público.

A regulação como o próprio nome já diz é colocar normas onde não há. Em nada tem haver com censura como os donos dos microfones e câmeras querem fazer crer. Trata-se de tratar as comunicações como a educação, a saúde e a assistência social onde existem órgãos e conselhos fiscalizadores e de participação popular. Porque ter medo? Em países com democracias centenárias como a Inglaterra isso é comum. Lá existem dois órgãos de regulação da mídia, o Ofcom e o Press CC. E alguém já ouviu falar em censura ou autoritarismo na Inglaterra? E vários são os exemplos por toda a Europa. A falta de regulação das mídias, principalmente rádio e televisão nos levou ao surgimento de uma espécie de “midiocracia”, ou seja, o governo da mídia. Nota-se que o maior e mais organizado partido de oposição ao governo petista desde o primeiro mandato de Lula é a Rede Globo. O PSDB e Democratas juntos não realizaram nem a metade do estrago que a revista Veja e os herdeiros de Roberto Marinho fizeram.Na micro esfera, em se tratando de município as coisas não são diferentes, só que por aqui o papel da mídia foi de servir de escudo ao governo ao optar pela não realização do debate eleitoral entre os candidatos a prefeito. Quem sai ganhando com a falta de debate? Sempre a situação! E na carona vai a candidatura de quem acredita ao se aliar a mídia, para na condição de sua amiga, ficar imune as suas críticas. A velha bajulação de sempre... Bonito ficou para quem ao cobrar a realização do debate expôs toda esta problemática para os eleitores.

Mas afinal, porque teimamos por um debate entre os candidatos? Em primeiro lugar por que somente em um debate entre eles - e não entre eles e um entrevistador dito isento - é que surgirão realmente perguntas verdadeiramente desafiadora. Sem a mínima possibilidade de fraude ou facilitação. É em um debate que se pode falar sobre o que escrevi aqui, por exemplo. Sobre o abuso de poder econômico nas campanhas. Seja este abuso com dinheiro privado, do bolso do próprio candidato ou de seus patrocinadores ou com dinheiro público, quando os cargos comissionados são transformados em cabos eleitorais e por tanto, pagos com dinheiro do povo. Em um debate tudo vem a tona e a alegação falaciosa e desrespeitosa de que viraria em um bate-boca é a falta de justificativa concreta e inteligente por parte da rádio e que agride os próprios candidatos ao desacreditar que os mesmos poderiam realizar, como eu acredito que realizariam, um debate de alto nível como merecem nossos eleitores e eleitoras.

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