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segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Fórum Social Temático: crise capitalista e justiça social e ambiental




Por: EVERTON PEREIRA
Em: Butiá Notícias (27-28/01/2012)

Desde a terça-feira 24, as organizações envolvidas com o processo do Fórum Social Mundial iniciaram um processo de debate que tem como foco a crise do sistema capitalista iniciada em 2008 e os problemas ambientais enfrentados pela humanidade. O evento chamado de Fórum Social Temático (FST) acontece concomitantemente em Porto Alegre, Canoas, São Leopoldo e Novo Hamburgo e terá seu encerramento neste domingo dia 29. Uma das funções do FST é a preparação para a Rio+20, conferência das Nações Unidas sobre desenvolvimento sustentável, marcada para junho deste ano no Rio de Janeiro ao mesmo tempo em que busca tornar claras as contradições próprias do sistema capitalista com a produção de desigualdades sociais extremas e a destruição do meio ambiente. O pontapé inicial ocorreu no início da manhã da terça, com uma palestra de José Graziano, recém-empossado diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), no Palácio Piratini.

Mesmo sem a pretensão de ser uma reunião mundial, o evento receberá centenas de estrangeiros. A presidente Dilma Rousseff também veio e com ela sete ministros para atividades sobre a crise internacional, o combate à pobreza e a Rio+20 bem como o presidente uruguaio José Mujica, que junto a presidente brasileira, realizou na quinta-feira, o ato “Diálogo entre a Sociedade Civil e o Governo”, quando uma delegação de militantes petistas de Butiá prestigiaram o evento. O Fórum Temático terá 900 atividades, entre palestras, oficinas, seminários e apresentações artísticas. Paralelo ao FST acontece também o Fórum Mundial de Educação. Um dos eventos mais aguardados do Fórum Mundial de Educação ocorrerá no dia 27, quando acontece um debate entre a militante estudantil chilena Camila Vallejo, o sociólogo português Boaventura de Sousa Santos e a ministra Maria do Rosário (Direitos Humanos).

Além disso, o FST terá feiras de economia solidária, praças de alimentação natural e o Acampamento Intercontinental da Juventude, no Parque Harmonia, em Porto Alegre. Ao todos, os organizadores esperam a participação de mais de 40 mil pessoas. Até pelo fato de ocorrer simultaneamente em quatro cidades distintas, a descentralização será uma das marcas do FST 2012. Em Porto Alegre, as atividades foram realizadas principalmente na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Usina do Gasômetro, Assembleia Legislativa, Câmara de Vereadores, Memorial do Rio Grande do Sul, Jardim Botânico, Cais do Porto e Casa de Cultura Mário Quintana. Em Canoas, as atividades ocorrerão na Unilasalle, Paço Municipal e Parque Eduardo Gomes. Em São Leopoldo, a sede do Fórum será o Centro de Eventos da cidade. Já em Novo Hamburgo, as atividades acontecerão nos pavilhões da FENAC, onde aconteceu no dia 25 um dos mais importantes debates do evento que foi: “Sustentabilidade Urbana”. Uma discussão sobre a aparente contradição entre o crescimento das cidades e a preservação do meio ambiente. O grande desafio para o FST e o mesmo imposto ao Fórum Social Mundial: intervir com suas propostas e deliberações na realidade imposta pelo sistema capitalista e se não modificá-lo plenamente - transformando em algo para além dele mesmo - ao menos que o torne mais esperançoso para esta e as futuras gerações.

Covardia na rede



Por: EVERTON PEREIRA
Em: Butiá Notícias (20-21/01/2012)

Creio que a internet seja uma das ferramentas que mais presta serviço a democracia e sua expansão mundo a fora. Há bem pouco tempo revoluções e levantes populares que derrubaram ditaduras e depuseram tiranos teve como forma de agregação, comunicação e organização popular a rede mundial de computadores. Talvez por isso ela seja tão detestada e vista com tanto receio por governos autoritários como o chinês e outros baseados no fundamentalismo religioso. A democratização da informação trazida com a internet e o próprio volume de informação, simplesmente é algo fora do controle. Se há poucas décadas atrás eram necessários livros, revistas, discos, cd’s, dvd’s para acessar algum tipo de informação ou entretenimento, hoje está tudo ao alcance do teclado e do mouse. Temos o mundo diante dos nossos olhos, mas como bons turistas, é sempre interessante antes de chegar ao destino, ter uma ideia sobre o que queremos lá para que não nos perdermos no caminho ou sairmos do foco.

Nada é totalmente bom nem totalmente mal. O que pode servir para ampliar o conhecimento, buscar mais informações do que está acontecendo no mundo ou mesmo ampliar o número de amigos, conhecer novas músicas e filmes, também pode servir para a prática de crimes como a pedofilia, a homofobia, o racismo, a disseminação de ideologias que pregam o ódio como o nazismo ou mesmo de maneira direta, atacar pessoas com calúnias e difamação. Neste caso em especial as redes sociais como o Facebook e o Orkut, talvez as mais conhecidas em nosso meio, sejam o terreno mais fértil. Ferramentas criadas para cultivar a amizade, arranjar namorados ou mesmo parcerias profissionais e discutir ideias, as redes sociais andam ultimamente sendo utilizada de maneira covarde para o denuncismo anônimo principalmente na esfera política.

Na antiga Grécia, berço da democracia ocidental, a ágora era o principal local da cidade. A praça pública onde se dava os debates sobre política, religião, enfim, tudo que fosse de interesse público. Mas sempre no olho a olho. Talvez hoje o Facebook tenha substituído em parte a ágora, mas com um detalhe: nele é possível que pessoas más intencionadas, utilizando-se de nomes e identidades falsas acusem outras sem a coragem de usar o verdadeiro nome. Durante esta semana infelizmente eu e outros companheiros do Partido dos Trabalhadores, alguns membros, outros não do Governo Municipal, fomos acusados covardemente por identidades falsas, os chamados “fakes”. Acusações que não tem a mínima consistência legal e que servem somente para criar um clima de boataria, fazendo do debate político não um debate de ideias e projetos, mas uma verdadeira praça de fofocas. A única forma que se tem de combater os “fakes” é não aceitar a solicitação de amizade de quem não conhecemos ou ao menos verificar o perfil da pessoa antes de aceitá-la como amigo ou amiga. No caso da certeza de ser um “fake” o correto é denunciar através da própria rede social que tem local específico para isto. No mais é não dar ouvidos, ou olhos, a boataria, pois numa democracia todos somos inocentes até que provem o contrário e só quem tem o poder de condenar ou absolver alguém é a Justiça e, portanto, só a ela devemos respostas.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Com responsabilidade e sem demagogia



Por: EVERTON PEREIRA
Em: Butiá Notícias (13-14/01/2012)

Iniciamos 2012 comemorando 7 anos de avanços em políticas para o Funcionalismo Público Municipal. Sem demagogia e com muita responsabilidade, conseguimos avanços inimagináveis antes de 2005. Foram 121% de ganho salarial real acima da inflação entre 2005 e 2012, com uma inflação acumulada de 41,31% no período. Entre os anos de 1997 e 2004 os servidores públicos municipais receberam tão somente 14,72% de reposição salarial, que foi o repasse da inflação do período. Não há o que se comparar no quesito funcionalismo público nos governos Sergio Malta e Paulo Machado.
Além deste incontestável avanço salarial, os servidores municipais durante o atual Governo Municipal conquistaram os seguintes benefícios, prova da demonstração de que a Administração tem um compromisso selado com os trabalhadores: Vale alimentação que foi criado em 2007 com R$ 70,00 (sendo 20% de contrapartida do trabalhador) e hoje está sendo reajustado para R$ 127,05 (com somente 5% de contrapartida), representando um ganho real de 114% em cinco anos. Convênio Ipe Saúde. Regularização do pagamento dos adicionais de insalubridades para serventes, motoristas e atendentes de creche. Gratificação de risco de vida para os vigilantes. Reajuste das diárias dos servidores indexado ao reajuste salarial. Realinhamento salarial. Plano de Carreira do Magistério, construído de forma democrática e participativa com os professores e com o conselho municipal de educação. Além das melhorias nas condições e relações de trabalho e trato com os servidores.

É pelo conjunto dessas obras em benefícios de nossos servidores que como vereador defendi com responsabilidade e sem demagogia o aumento de 10% do salários de nossos servidores. Entendo e respeito a posição do Sindicato dos Municipários em sua proposta de 14%, mas com a experiência acumulada de sete anos como membro do Executivo Municipal e inclusive como Secretário de Administração, sei da inviabilidade de se contemplar tal solicitação. A vontade do prefeito Paulo Machado e de toda a base aliada (PT-PPS-PTB) era de um reajuste inclusive superior aos 14%, mas é inviável. Em se tratando de Orçamento Público temos que agir com seriedade, conhecimento, deixando de lado a demagogia e o oportunismo que inclusive eu poderia aqui estar fazendo uso. Como vereador é fácil cair na armadilha do discurso fácil e "jogar para a torcida" - mas não é isso que busco. Busco e buscarei sempre agir com responsabilidade e dentro dos limites legais, para o bem da sociedade e dos servidores inclusive.

A Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) estipula um Limite Prudencial de 51,03% de gastos com pessoal. A previsão orçamentária para 2012 é de R$ 29.246 milhões, se cumprida, um aumento de 10% representará 50,09% de gastos do orçamento da Prefeitura com o funcionalismo. A proposta do SIMBU e da oposição elevaria esta margem para 52,99%, nos deixando apenas a 1,01% de distância do limite legal de improbidade administrativa que é de 54% de despesas com pessoal conforme a LRF. Desta forma, qualquer variação na arrecadação local ou uma nova crise econômica internacional poderia nos colocar dentro da margem de improbidade e trazer sérios danos para o Município. Um aumento salarial de 10% nos permite ter uma margem de 50,09% até 54% em caso de crise econômica, o que é prudente e saber governar com cautela. E é preciso lembrar: em caso de crise, o orçamento se reduz, mas salário é impossível por lei ser reduzido.

Sei que muito já foi feito em nosso Governo em termos de políticas para o funcionalismo, mas que muito ainda falta por fazer. Mas ouço diariamente a maioria dos servidores dizerem que não querem a volta aos “velhos tempos”. Pertenço ao um partido que tem sua origem na luta sindical e pelos direitos trabalhistas, mas jamais usarei nossos servidores como massa de manobra eleitoral. Ofertamos o que pudemos cumprir e sei que aqueles que hoje pedem o impossível, amanhã serão os mesmos que acusarão o Governo de improbidade, de desgoverno e de desconhecimento do Orçamento Público.

sábado, 17 de dezembro de 2011

Os camaleões e a politicagem congênita



Por: EVERTON PEREIRA
Em: Butiá Notícias (16-17/12/2011)

Camaleões é uma espécie muito conhecida na família dos lagartos – denominados pelos especialistas através do nome científico de chamaeleonidae. Existem aproximadamente 80 tipos diferentes de camaleões e a maior parte deles estão na África Saariana. O que distinguem estes lagartos dos demais é sua incrível capacidade de mudar de cor, assumindo as tonalidades do ambiente em que estão. Está iniciando uma pesquisa em algumas universidades brasileiras - principalmente as paulistas - para estudar um fenômeno que a biologia ainda não encontrou explicação e por isso está buscando a colaboração das ciências humanas como a história e a sociologia. Trata-se de um gene comum a camaleões e muitos seres humanos, sendo que 99,9% destes humanos coincidentemente frequentam o meio político. Um dos homenageados pela descoberta do estranhíssimo gene será o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, que mesmo sem querer acabou por colaborar com o progresso da ciência ao criar um partido político que sem medo das críticas dos radicais ideológicos assumiu não ter ideais, programa político e não ser de esquerda, de centro ou de direita. É um nada. Um vácuo ideológico e programático. Ao ressuscitar o falecido PSD de Kubichek, com a utilização de nomes e assinaturas falsas, Kassab ajudou no avanço das ciências biológicas e sociais. Criou o primeiro partido oficialmente sem cor da história brasileira, um partido camaleão, que poderá se adaptar tanto a estrela vermelha petista, como ao tucano azul e amarelo do PSDB – isso claro, dependendo de quem dá mais - mascarado no velho discurso demagógico de que está a serviço dos interesses do país e não de ideologias.

O que mais está impressionando os cientistas é a capacidade de contaminação e propagação do gene camaleão que na linguagem popular já está sendo chamado de politicagem congênita. Em todo o Brasil focos da mudança genética já estão sendo registrados em Assembléias Legislativas, Prefeituras e Câmaras de Vereadores. Políticos que a vida inteira passaram se degladiando, de uma hora para outra tornam-se aliados para compor governos, mesas diretoras e defender ideais. Por isso a mutação genética também está recebendo o nome de “gene paz e amor”. Mas claro que sempre existem cargos e “interésses” (como diria Brizola) por de traz do amor e da paz. Mas isso é uma outra história... Para aqueles políticos radicais, presos a ideias e utopias que temem contaminar-se ou acometer-se com a mutação genética camaleônica, os cientistas estão prescrevendo estudos de ciência política, não deixar-se apaixonar-se pelas benesses do poder, não ser conivente com intrigas e boatarias propagas pela mídia dita imparcial e principalmente ter sempre em mente que o poder é um meio e não um fim. A tarefa é difícil, mas não impossível.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Festa no campo



Por: EVERTON PEREIRA
Em: Butiá Noticias (09-10/12/2011)

Chegamos no último mês do ano. 2011 está quase acabando ou acabado. Com o final dos dias do ano, vem em nossas cabeças o retrospecto ou a retrospectiva - como a televisão gosta de dizer - de nossos atos e ações durante o ano que está com os dias contados. Particularmente para mim como Secretário de Agricultura e Proteção ao Meio Ambiente, foi um ano muito produtivo, ou melhor, um ano em que colhemos a produção das sementes que estamos semeando desde 2009 - ano em que assumi o cargo de Secretário nesta pasta. Uma avaliação positiva do Conselho Municipal de Desenvolvimento Agropecuário, uma de nossas ferramentas de participação popular em nossa gestão popular e participativa, nos deu e dá mais ânimo para continuar no caminho do que julgamos o mais certo ou menos errado, dirão alguns. Na última rodada da Gestão Participativa SMAMA onde percorremos as associações de moradores do interior, também a avaliação do trabalho de nossa administração foi positiva e o que é melhor, os “erros” e “falhas” que ainda persistem, são compreendidos pelos produtores e produtoras rurais. Isto porque atingimos um grau de cumplicidade e diálogo com a população rural jamais alcançado e nosso homem do campo sabe hoje, que se as coisas não estão melhores, é porque não têm como – mas que estamos sempre trabalhando para que elas melhorem. Não vendemos sonhos. Não fizemos falsas promessas. Jogamos limpo com os produtores e produtoras e eles sabem disso. Conquistamos a confiança daqueles que colocam a comida em nossas mesas.

Estamos chegando ao fim de mais um ano como já escrevi. E hoje, diferente de quando eu era guri e havia uma única festa que anunciava que o fim do ano estava próximo - que era a Festa de Santa Bárbara - temos uma outra festividade. Uma festa que já é marca registrada em nosso calendário, a Festa Rural. Quando ela chega, é porque logo ali vem o Natal e depois o Fim de Ano. É porque as casas já estão decoradas com luzes e arranjos natalinos. Uma festa rural como o próprio nome já diz. Uma festa rural como era o Natal primitivo que reverenciava o nascimento do Deus Sol e início das colheitas. Uma festa rural que para um Secretário de Agricultura e para um governo que tem no setor primário uma estratégia de desenvolvimento sócio-econômico é um orgulho. Uma Festa Rural que colou! Que deu certo graças ao empenho de toda uma comunidade. Uma não, três: Cerro do Clemente, Passo da Estiva e Passo dos Carros. As chamadas “Três Localidades”. Uma Festa que além de entreter e divertir garante renda extra aos pequenos pecuaristas e coloca nossa carne de cordeiro na vitrine da região e por isso é estratégica do ponto de vista econômico para nosso município.

E será nesta 7ª Festa Rural deste ano que vamos, junto como toda a comunidade da AMTREL festejar, que vamos encerrar mais um ano de bons resultados para não só o governo nas questões vinculadas ao setor rural, mas para toda a comunidade do nosso interior. No momento em que estaremos festejando a sétima edição do evento, vamos também realizar a entrega da 2ª Etapa do Programa Municipal de Repasse de Carneiros. Entregar aos produtores de uva, panelas próprias para a confecção de suco, o que possibilitará o aumento da produção. E ainda, estaremos entregando aos produtores mais uma retroescavadeira para compor a Patrulha Agrícola, que através da parceria do Governo Municipal com o Governo Federal com a ajuda do Deputado Pepe Vargas do PT, fomentará o desenvolvimento da pecuária, da irrigação e da piscicultura butiaense. Tudo isso são fatos e contra fatos, não há meias verdades capaz de se sobrepor. Uma boa festa a todas e a todos!

sábado, 26 de novembro de 2011

O refúgio na memória



Por: EVERTON PEREIRA
Em: Butiá Notícias (25-26/11/2011)

Talvez um dos piores males que pode se abater sobre uma pessoa seja o esquecimento, a perda da memória. Imagine por um minuto, não reconhecermos ninguém. Não lembrarmos o que fizemos no dia de ontem. Quem é nossa família e amigos. E o que é pior, não sabermos quem somos nós mesmos. Esquecendo até de nosso próprio nome. A memória é algo fundamental em nossas vidas. Podemos até viver sem ela, mas estaremos condenados a uma condição de extrema dependência a outras pessoas e inválidos. É a memória que nos dá identidade. Que nos faz ser o que somos. É o acúmulo de tudo que vivemos e aprendemos no passado que nos faz ser quem somos no presente e nos dá capacidade de projetar e planejar quem pretendemos ser no futuro.

Usualmente quando falamos em perda de memória, estamos nos referindo a pessoas, indivíduos que por causa de um acidente ou doença, perdeu suas referências em relação ao passado. Pouco ou quase nada falamos sobre nossa memória coletiva, aquela que da mesma forma que a individual, nos dá identidade e nos traz o sentimento de pertencimento. Somos brasileiros porque coletivamente compartilhamos de um mesmo passado, mesmo que nem o temos vivido na realidade. Mas foi este passado que nos dá uma noção de relação com os demais compatriotas. É neste passado que está a explicação de nosso presente. Em nossa memória coletiva que estão as explicações dos porquês de tanta coisa que não entendemos e se não entendemos é por que está nos faltando esta memória compartilhada. Um povo que não lembra e ,por tanto, não conhece seu passado, não entende seu presente e não conseguirá planejar um futuro melhor. É um povo que corre o risco de inclusive cometer os mesmos erros do passado, sem ao menos se dar conta, ao invés de ter aprendido com eles – da mesma forma que deveríamos fazer com nossos erros pessoais.

Se nossa memória pessoal está, segundo a neurociência em nosso cérebro, onde está nossa memória coletiva? Ela está em livros, documentos, na memória dos idosos e agora também no mundo virtual, na internet. Mas o lugar por princípio da memória coletiva, seu refúgio preferido, são os museus. É neles que está nosso maior patrimônio, o patrimônio histórico, nossa memória coletiva. Se nas antigas culturais orais o conhecimento do passado estava na memória dos mais velhos, hoje ele está nos museus.
Felizmente em Butiá temos um museu. Um museu que leva o nome de alguém que já faz parte de nossa memória coletiva (e da minha individual). O museu Sérgio Severo Malta apesar de sua recente criação contribui para exercitarmos nossa memória social. É lá que existem, como num jogo de quebra-cabeça, pedacinhos de nosso passado, que somadas as peças, dá sentido a nossa condição de butiaenses. Acabamos por perceber que temos uma trajetória em comum. Que compartilhamos de uma mesma cidade. Tudo isso através de documentos antigos e objetos que hoje já não usamos mais, mas que no passado era o presente. A valorização dos museus e do nosso museu em particular é sinônimo de inclusão social e de identidade. Nos faz percebermos que temos muito mais em comum do que pensamos. São nos museus que está o refúgio de nossa memória. São eles que constituem e armazenam nossa diversidade cultural, étnica e social. São eles que farão que as futuras gerações lembrem de nós no futuro.

sábado, 19 de novembro de 2011

Andar com Fé



Por: EVERTON PEREIRA
Em: Butiá Notícias (18*19/11/2011)

Há uma canção de Gil chamada “Andar com Fé” que escolhi como título de minha monografia de pós-graduação em História Africana e Afro-brasileira. No trabalho eu trato dos 30 anos da Associação do Centro Umbandista e Africanista Xangô e Oxum presidido pelo querido amigo José Carlos Marcolino e que tem como líder religioso José Honório Dias de Oliveira, o popular Pai Honório. Neste trabalho, que em breve transformarei em um livro, busquei através de uma associação religiosa de nossa cidade, falar e elucidar um pouco sobre a história do negro em Butiá e no Rio Grande do Sul. Falar também sobre a beleza e a magia das religiões afro-brasileiras, buscando através do conhecimento acabar com a ignorância que cria o preconceito. Realço também a figura de Honório, que através de suas crenças religiosas, mobiliza centenas de seguidores que com ele realiza um belo e importante trabalho social em nossa comunidade. Da mesma forma que os kardecistas, católicos, evangélicos e outros centros afro-brasileiros também o fazem. A ACUAXO foi uma espécie de amostra, usando a linguagem acadêmica, de que orixás, caboclos, pretos velhos, exus e pombagiras também, através de seus devotos, ajudam o próximo.

Voltando ao título. Em “Andar com Fé” Gilberto Gil diz que a “a fé não costuma faiá (falhar)”. Diz inclusive que “mesmo a quem não tem fé a fé costuma acompanhar (...) pelo sim, pelo não”. A música quer passar a importância da crença. Do acreditar em algo. Principalmente se este acreditar seja baseado na experiência direta e não somente por meio de livros, palestras e sermões. Desta forma, pela experiência, a fé tornar-se mais forte, menos demagógica e hipócrita. Em uma parte do trabalho usei um pedaço da letra da música que, ao meu ver, tem uma relação com a religião praticada na ACUAXO: “A fé ta na maré, na lâmina de um punhal. Na luz, na escuridão”. A maré de Iemanjá, o orixá dos mares. No punhal que sacrifica (a origem deste termo vem do grego e significa “tornar sagrado”) o animal que em seu sangue (imagem forte na cultura judaico-cristã) carrega o Axé, a energia divina vital que é oferecida ao praticante e seu orixá. A fé que está na luz e na escuridão. Pois a escuridão não existe de fato, é ela a falta de luz. E não há lugar que a luz, a força divina, não possa entrar.

Falo aqui em fé, em religião afro-brasileira e em um centro religiosos que para muitos é refúgio espiritual e para outros, fundamentalistas e fanáticos religiosos, o lar do mal. Doentes do mesmo fanatismo e fundamentalismo que cria guerras, ódio e derruba aviões sobre prédios. Fundamentalistas que fazem mal a democracia que existe justamente para garantir o direito a crença e a diversidade de todo tipo. Nesta Semana da Consciência Negra, como estudioso da história do negro (porque ela nos releva a história do Brasil) e admirador de sua cultura que inclui sua religiosidade – que apesar de não professá-la respeito e tenho uma atração estética muito grande – gostaria de frisar a importância da tolerância. Não precisamos gostar de algo. Seja ele um partido político, um time de futebol, uma religião ou mesmo uma pessoa. Mas devemos tolerar sua existência. O direito do outro existir garante o nosso direito a existência. É este o princípio básico do Estado Laico. Não se trata de ateísmo, mas de que os governos e a política não interfira no campo do sagrado, que ele seja um espaço de escolhas individuais e que cada um acredite - ou não acredite – no que lhe faz bem. No que dá sentido a sua vida. Parabenizo o Pai Honório pela honraria recebida nesta Semana da Consciência Negra e àqueles que reconheceram, finalmente, seu trabalho e representação desta etnia que ainda necessita avançar muito em seus direitos até tornarmo-nos de fato uma democracia.

Sobre a morte (e a vida)




Por: EVERTON PEREIRA
Em: Butiá Notícias (11-12/11/2011)

Talvez uma das perguntas que acompanha o ser humano desde que ele tomou consciência de sua existência é o sentido da vida, com ela, o que é a morte. Todas, absolutamente todas as religiões tratam dela. Talvez seja exatamente esta indagação que fez surgir as primeiras práticas xamânicas e as primeiras religiões. Saber de onde viemos, porque estamos vivos e para onde vamos depois da vida é uma pergunta recorrente em todas as culturas. Da mesma forma, todas as tradições religiosas têm na morte um aspecto doutrinário importante – umas mais, como o espiritismo e as religiões africanas e outras menos como o próprio catolicismo e algumas ramificações do budismo, como o zen.

A morte sempre teve importância fundamental na vida de nossos ancestrais. Se hoje a Igreja Católica pouco discorre sobre o “além vida”, na Idade Média as pessoas viviam em função da morte, ou seja, seguir normas tidas como sagradas para ter uma “boa vida” depois da morte. O contrário disto era queimar eternamente no “fogo do inferno”. Da mesma forma o espiritismo têm sua existência baseada em um suposto “mundo espiritual”, um “lugar” para onde vamos depois da morte. Se tivermos uma vida regrada, disciplinada, praticando a caridade e o amor ao próximo, não precisaremos reencarnar tantas vezes e estaremos mais rápido junto a Deus. Já para o Zen Budismo, uma ramificação japonesa desta religião nascida há mais de 2.500 anos na Índia, o que vêm depois da morte pouco importa. O que importa é o momento presente em sua plenitude, com sabedoria e atenção já é o necessário. De maneira ainda mais profunda, trata-se de reconhecer o próprio “paraíso” ou o “nirvana” ou mesmo “Deus” aqui e agora, sem pensar no passado e no futuro. Não posso deixar de citar aqui aqueles para os quais a vida se acaba com a morte. Pessoas que não crêem na existência de um Deus ou algo que o valha e acreditam que com a morte se encerra a vida, como se ao morrer, acabasse a consciência totalmente. São os chamados ateus.

Falo da morte e consequentemente da vida por ter sido quarta-feira, o Dia dos Finados. Uma data especial para lembrar e prestar homenagem para aqueles que já se foram. É uma data cristã que teve suas primeiras celebrações no século II, mas hoje é celebrada por cristãos e não cristãos. Em uma sociedade baseada no prazer imediato, no culto ao corpo perfeito, a juventude, ao consumo exagerado, pouco se fala em morte. A maioria das pessoas evitam o assunto, ele significa o afastamento total do mundo material ao qual nosso modo de viver reverencia tanto. Não conseguimos conciliar vida e morte e entendê-la como um processo natural. Só se morremos porque estamos vivos. Porque tivemos a maravilhosa experiência de estar aqui vivenciando a existência. Creio que não importa o que vêm depois da morte. Se um nada eterno, um mundo espiritual, o inferno ou o paraíso. Viver de maneira digna, sem prejudicar ninguém e fazer para os outros o que gostaríamos que fizessem conosco, garantirá algo melhor depois, e se não há o depois, ao menos tivemos uma boa vida aqui e agora.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Novamente o carvão

Por: EVERTON PEREIRA
Em: Butiá Notícias (07-08/10/2011)

Em seus 48 anos de emancipação, comemorados no domingo dia 09, a história política, social e econômica de Butiá está intrinsicamente ligada a mineração do carvão que teve ao longo do tempo, altos e baixos. Por ter sido e ainda continuar sendo, muito importante para a economia não só da cidade, mas da região como um todo, a questão do carvão e de sua utilização na matriz energética nacional, é um debate perene. Mas um debate que infelizmente escapa do discurso técnico e econômico e acaba por resvalar para o campo político, mais especificamente o político partidário ou político eleitoral.

Desde que me conheço por gente, ouço políticos quase sempre em vésperas de eleições, levantar recorrentemente a pauta do carvão: poucos com a coragem de se posicionar contrários, a maioria favorável. A cada eleição, ou véspera destas, é sempre o mesmo assunto e quase sempre oriundo das mesmas fontes e personagem: abertura da Jacuí I, funcionamento da Leão II, fechamento iminente da CRM de Minas do Leão, interdição da CGTEE de São Jerônimo e até o fechamento da Copelmi ou a ida desta para outros municípios da região. Neste emaranhado de interesses, fica difícil de enxergar o argumento técnico e as questões de viabilidade econômica com os discursos demagógicos de políticos que utilizam-se da questão para levantar bandeiras ou por fogo nas bandeiras alheias. Nada mais certo. É da natureza da democracia a defesa de ideias e a disputa por sua hegemonia. Nada contra muito menos ao carvão, que na minha visão, como já escrevi neste espaço, é uma “monocultura” importante para o acúmulo de capital necessário para a diversificação econômica da região. Mas me refiro aqui é a recorrente demagogia e terrorismo com que o tema é tratado por ditas lideranças que querem no fundo distorcer a verdade a seu favor, fazendo a população e os trabalhadores da cadeia produtiva carvoeira de massa de manobra para seus interesses e projetos políticos individuais.

Novamente o carvão entra em pauta. Novamente próximo ao ano eleitoral que se aproxima. Novamente o debate é feito mais no campo político demagógico do que no campo técnico e econômico. Quero aqui como membro do Partido dos Trabalhadores afirmar que não há posição fechada do partido em relação ao carvão - assim como em todos outros partidos. Temos democracia interna! Nem a presidente Dilma, nem o governador Tarso Genro, nem o prefeito Paulo Machado são contrários ao carvão. Se há, vez por outras, objeções, é porque elas partem de cabeças pensantes que consideram a viabilidade econômica, ambiental e técnica dos empreendimentos de mineração e das termoelétricas. Não podemos, por mera paixão ou interesses eleitorais, manter ativas estruturas que ao invés de queimar carvão, queimam o dinheiro público. Acima dos interesses de um grupo, deve estar o interesse coletivo. Disseminar a desinformação é prejudicial não só ao carvão, mas a região. Sabemos que se em casos específicos há realmente a possibilidade, por questões técnicas e econômicas de se acabar com algumas estruturas defasadas, no geral, o carvão não sofre nenhum risco. Basta ver a expansão da mineração de empresas como a Copelmi e suas terceirizadas, por exemplo. No fim dessa história, a situação do carvão pode até não melhorar como era a expectativa de muitos. Mas também não irá piorar. Irá permanecer como está e muitos, mais uma vez, dirão que salvaram o carvão.

domingo, 2 de outubro de 2011

Irmão Sol, Irmã Lua


Por: EVERTON PEREIRA
Em: Butiá Notícias (30/09 - 01/10/2011)

Na próxima terça-feira, 04 de outubro, os católicos comemoram o dia de São Francisco de Assis, um dos santos mais cultuados do cristianismo. Francisco nasceu na cidade italiana de Assis no ano de 1182. Era filho de uma rica família de comerciantes da região e assim como outros líderes religiosos cristãos e nãos cristãos, optou pela pobreza e pela vida contemplativa em detrimento do conforto e dos prazeres da riqueza material. Tão logo ficou famoso por sua atitude radical para uma época em que o capitalismo e a burguesia iniciavam seu apogeu, teve muitos seguidores por pregar um retorno ao cristianismo primitivo – a base teológica dos ensinamentos de Jesus. Clara d’Offreducci, também de Assis foi uma das primeiras a seguir Francisco. Assim como ele, ela também vinha de uma família rica, de nobres, e deixou tudo para se dedicar a vida religiosa. São Francisco morreu em 1226 e Santa Clara, que fundou o ramo feminino da Ordem Franciscana, em 1253. Mas apesar da aparente distância cronológica, a mensagem dos dois permanece cada vez mais atual e relevante.

Para alguns pode parecer não haver lugar para os ensinamentos de Francisco em uma época que é justamente o avesso de tudo o que o Santo de Assis pregava. O culto ao consumo, ao ter, a ostentação e o desrespeito com a natureza são marcas de nossos dias. Como cegos procurando a luz na imensidão do paraíso, buscamos a paz e a harmonia onde elas menos estão. Clara e Francisco pregavam a humildade, o desapego e o amor a natureza como forma de encontrar a verdadeira felicidade. Uma felicidade que não tem condicionantes, que está sempre presente como o Deus que eles reverenciavam. Um Deus que está em tudo e em todos. Que se manifesta na pobreza, nos animais, em toda sua Criação. É de São Francisco, para mim, um dos mais belos textos religiosos de todos os tempos. Chama-se o Cântico das Criaturas, nele ele expressa todo seu amor a Deus e nele reconhece esta presença do Criador em todas Suas criaturas. Em uma parte, do Cântico, Francisco disse o seguinte: “Louvado sejas, ó meu Senhor, pela irmã Lua e as Estrelas. No céu as acendeste, claras, e preciosas e belas. Louvado sejas, ó meu Senhor, pelo irmão Vento e pelo Ar, e Nuvens, e Sereno, e todo o tempo, por quem dás às tuas criaturas o sustento. Louvado sejas, ó meu Senhor, pela irmã Água, que é tão útil e humilde, e preciosa e casta. Louvado sejas, ó meu Senhor, pelo irmão Fogo, pelo qual alumias a noite: e ele é belo, e jucundo, e robusto e forte. Louvado sejas, ó meu Senhor, pela nossa irmã a mãe Terra, que nos sustenta e governa, e produz variados frutos, com flores coloridas, e verduras”.

Mais do que santos católicos, Francisco e Clara, o Irmão Sol e a Irmã Lua, são exemplos de ética e respeito para com a natureza e para com o próximo, principalmente os mais pobres. Trazem uma mensagem que pode ser meditada e vivenciada por religiosos e por não religiosos. Uma mensagem de tolerância, de amor e de profunda união entre o homem e a natureza, local onde Deus “se esconde”. Em um mundo tão corrido, que dá tanto valor ao ter e não ao ser, é importante pensar pelo menos por alguns instantes nas palavras de Clara e Francisco.

sábado, 24 de setembro de 2011

SMAMA: conquistas e derrotas


Por: EVERTON PEREIRA
Em: Butiá Notícias (23-24/09/2011)

Nestes quase três anos a frente da Secretaria Municipal de Agricultura e Proteção ao Meio Ambiente – SMAMA, aprendo uma nova lição a cada dia. Venho de uma área que não tem relação direta com os assuntos de incumbência da pasta. Como professor de História, procurei me aliar àqueles que ao longo do tempo acumularam conhecimento seja teórico ou prático para passar adiante e ensinar. A própria equipe da Secretaria me auxilia muito neste sentido além dos amigos da Emater onde alguns, inclusive, possuem mais tempo de casa do que eu de vida. Mas foi com aqueles que lidam com a terra, que produzem e vivem dela que mais aprendi. Quando fui nomeado Secretário de Agricultura e Proteção ao Meio Ambiente ainda pelo saudoso Sérgio Malta, o que trazia na bagagem era uma forte inclinação ambientalista, baseada numa convicção que carrego até hoje de que a preservação da natureza é conflituosa com as leis que regem o capitalismo. Na questão agrícola carregava o conhecimento teórico da história de nosso país, uma história construída com base no latifúndio, na acumulação de terra e no trabalho escravo, traços que até hoje, não foram ainda bem resolvidos apesar de todos os avanços. Me faltava a prática. Conhecer e identificar na própria realidade estes problemas conhecidos por meio de leituras e conversas. Hoje sei, mais do que nunca, a importância do conhecimento empírico, aquele que nos salta aos olhos na própria realidade cotidiana. O conhecimento que reforça ou refaz nossas teorias. No meu caso, mais reforçou do que refez - embora o aprendizado seja ininterrupto.

Um princípio básico que me norteia ideologicamente fez com que conseguíssemos atingir o sucesso hoje reconhecido por muitos. O princípio da democracia participativa. Ela como fase superior a atual democracia representativa. A participação do cidadão - dos produtores - na construção das políticas implementadas pela SMAMA através de uma gestão verdadeiramente participativa, me trouxe o conhecimento prático necessário para agir em conformidade com o povo, àquele que paga o meu salário e mantém a Secretaria que administro. Mais do que uma concepção teórica, uma forma de se construir uma sociedade igualitária e radicalmente democrática através da participação direta do cidadão, a Gestão Participativa possibilitou também construir o conhecimento prático que nos dá condições de agir e agir com eficácia - apesar das dificuldades e das críticas necessárias a evolução tanto pessoal quanto profissional e política. Diz um velho ditado chinês que não podemos deixar que as conquistas nos conquistem, e que as derrota nos derrotem.

Quanto as derrotas, graças ao diálogo e a transparência sempre presente em nossas ações, foram poucas. Mesmo a oposição política foi na maioria das vezes justa em suas críticas e embates. O pior, como diria Trotsky, vêm sempre dos camaradas de trincheira, pois deste não esperamos o golpe, nos pegam desprevenidos. Já as conquistas, não minhas, mas de nosso trabalho, construído a várias mãos, foram muitas e continuam sendo contabilizadas a cada dia, a cada novo projeto. Mas elas não nos conquistam, sabemos que o muito que já fizemos é pouco frente ao muito que ainda falta.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

A limitação de mandatos parlamentares



Por: EVERTON PEREIRA
Em: Butiá Notícias (16-17/09/2011)

Em seu 4º Congresso Nacional, realizado no início deste mês, o Partido dos Trabalhadores discutiu e tomou posição sobre temas cruciais para o futuro da democracia brasileira. Entre eles, aqueles que julgo ser de maior relevância e ousadia, foi o da democratização da mídia através do controle público (os canais de televisão, por exemplo, são concessões públicas para empresas privadas, nada mais justo que haja uma regulamentação nesta área) e a limitação dos mandatos dos parlamentares, este último, tema desta coluna.

A limitação de três mandatos para vereadores, deputados estaduais, federais e distritais e de dois mandatos para senadores busca, de um lado, contrapor o argumento contrário a lista fechada, defendida pelo partido, de que ela impediria a renovação dos quadros, e de outro, e mais importante, demonstra a concepção petista de mandato parlamentar. Os partidos políticos representam “partes” da sociedade com diferentes visões referente a determinadas áreas e deveriam, cada um de acordo com sua ideologia, apresentar um programa para governar esta sociedade. Semelhante a isto é o papel do parlamentar. Em tese, cada parlamentar é antes de mais nada um cidadão que compõe e participa de um ou mais grupo social. Seu mandato deve estar a serviço deste grupo ou grupos e em última instância, da sociedade como um todo. Mas o que ocorre é que ao ingressar na vida política, o cidadão que agora virou um parlamentar, acaba, na maioria das vezes, se tornando um profissional da política, como se esta fosse um profissão como a de médico, advogado, professor, motorista ou engenheiro. A política acaba por ter um fim em si mesmo e a maior preocupação passa a ser a manutenção do poder. A profissionalização da política acaba por distanciar cada vez mais o representante de seus representados e o mundo político passa desta forma, a se fechar em si mesmo, como se sua razão de existir não fosse a sociedade que o elege.

A mudança proposta pelo PT entrará em vigor em 2030 para senadores e 2014 para os demais parlamentares. Anos em que os mandatos serão “zerados”. Desta forma o PT dá o exemplo e provoca o debate em torno da profissionalização e renovação da classe política. Com o limite de mandatos, não dará tempo, por exemplo, para o médico que decidiu ser deputado federal, “esquecer” de onde veio. Em determinado período ele “volta” para a sociedade e o convívio social, possibilitando inclusive uma espécie de “reciclagem política”, para então, quem sabe, retornar a vida pública “renovado”. Isto sem falar na importância da limitação de mandatos para a formação de novos quadros partidários, estimulando inclusive jovens e mulheres a participarem mais da vida política, trazendo novas ideias e novos projetos de sociedade.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Carvão e desenvolvimento regional



Por: EVERTON PEREIRA
Em: Butiá Notícias (09-10/09/2011)

Mais uma vez o carvão mineral prova ser uma fonte não só de energia elétrica, mas também de aglutinação e de discussões apaixonadas em nossa região. A polêmica em torno da ampliação, manutenção ou mesmo exclusão desta fonte de energia dos leilões energéticos do Ministério de Minas e Energia causou mais uma vez posicionamentos dos mais diferentes setores da sociedade. A história se repete e basicamente pode-se dividir as visões em três: de um lado os defensores da fonte energética a qualquer custo, de outro os “ambientalistas” contrários e críticos do carvão como fonte de energia “suja” e por fim aqueles que baseiam seu posicionamento em questões pessoais como, por exemplo, trabalhar direta ou indiretamente em empresas ligadas a extração do carvão ou então os que se dizem lesados com o carvão por residirem próximo as áreas mineradas.

Acredito, como cidadão e Secretário Municipal de Agricultura e Proteção ao Meio Ambiente, que uma quarta via ou posição deve ser considerada neste debate. Uma via que considere as demais e faça uma espécie de resumo, síntese e análise mais crítica e profunda da problemática carvão. Uma problemática que vai muito além de si mesma e que passa necessariamente não por discussões, por horas apaixonadas e extremadas, do simplesmente contra ou a favor, mas que parta de uma questão essencial para entender a história da Região Carbonífera: a Economia de Monocultura.

Assim como na história econômica nacional que teve e têm sua base na monocultura, inicialmente com o pau-brasil, passando pela cana-de-açúcar, o café, diversos grãos e o minério de ferro, por aqui a coisa não foi diferente. A própria geografia do local levou o nome de sua principal monocultura: carbonífera, oriunda do carvão. Atualmente se considerarmos a região como um todo, perceberemos a permanência da economia de monocultura como característica principal. Carvão, madeira e fumo formam as três matrizes econômicas das quais dependem nossa região. A questão, no meu entendimento, não é usar discursos radicais ou sectários, cegos. Jargões do tipo “fora aquilo” ou “fim a isto” não nos levará a um debate produtivo e resolutivo. Devemos sim utilizarmo-nos de estratégias produtivas que se volte para a diversificação econômica e para isso, mesmo parecendo contraditório, a monocultura pode, temporariamente, ser uma grande aliada.

Falo da criação de um Fundo Regional de Desenvolvimento Econômico e Social que vise justamente através da riqueza acumulada com as monoculturas, fomentar o desenvolvimento de outras matrizes econômicas estratégicas como a pecuária e a agricultura familiar, a pequena e média empresa e também destinar recursos para a preservação ambiental. Com a socialização e investimento destes recursos oriundos do carvão, da madeira e do cultivo do fumo nestes setores, poderemos a médio e longo prazo ampliar nossa capacidade produtiva e diversificar nossa base econômica regional. Com um fundo desta natureza poderemos fazer do limão, uma limonada. Transformando nossas hoje monoculturas - que por sua própria essência colocam em risco a economia local como um todo em épocas de crise - em apenas mais um elo da economia regional. Não precisando desta forma serem excluída mas sim contribuir, ao lado de outras atividades, para nosso tão sonhado desenvolvimento sustentável.

sábado, 3 de setembro de 2011

O que esperam os estudantes do Governo Dilma?



Por: EVERTON PEREIRA
Em: Butiá Notícias (02-03/09/2011)

Representantes dos estudantes de diferentes níveis reuniram-se com a presidente Dilma Roussef esta semana para apresentar reivindicações que segundo eles, o governo ou os governos petistas ainda não implementaram em sua totalidade. As duas bandeiras principais do movimento são a destinação de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) para a educação e 50% dos recursos do fundo social do Pré-Sal. A cobrança do fim do analfabetismo até 2016 também foi uma exigência dos estudantes como também a garantia de recursos para a conclusão das obras do REUNI (o programa de expansão universitária do governo federal). O reajuste imediato nos valores das bolsas para pós-graduação e a ampliação dos Institutos federais foram cobrados pelos jovens a presidente.

A pauta apresentada pelos estudantes contém 43 itens e apesar de não ter sido analisada pontualmente por Dilma a presidente determinou que os ministros Fernando Haddad, da educação e Gilberto Carvalho, secretaria geral da presidência, ficassem responsáveis por dar uma resposta ao movimento em médio prazo. A reunião dos estudantes com Dilma, no Palácio do Planalto, ocorreu após uma marcha na Esplanada dos Ministérios. O ato encerrou um uma jornada de manifestações batizada de “Agosto Verde e Amarelo” pelos organizadores, que foram a União Nacional dos Estudantes (UNE), a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) e a Associação Nacional dos Pós-graduandos (ANPG). O protesto reuniu 20 mil pessoas e no mínimo demonstra um certo revigoramento e unidade do movimento estudantil no país, que desde a ditadura militar vêm se enfraquecendo cada vez mais. Com estudantes cada vez mais distante da vida política e desinteressados pelos acontecimentos que norteiam a vida da nação. Os estudantes cobraram também questões não diretamente ligadas a educação como a queda da taxa de juros do Banco Central, o fim do superávit primário e a redução da jornada de trabalho sem redução de salário.

A força do ato foi tamanha que a presidente da Federação de Estudantes da Universidade do Chile (FECh), Camila Villejo, que ganhou notabilidade internacional ao comandar as mobilizações de massa que vêm sacudindo àquele país há três meses, compareceu ao protesto para demonstrar a solidariedade do povo chileno às bandeiras de luta dos estudantes brasileiros. Esta comunicação entre os estudantes da América-Latina é algo que enche de otimismo a luta estudantil. Em contra-partida, na Câmara dos Deputados, os estudantes participaram de uma sessão especial da Comissão de Direitos Humanos e Minorias em solidariedade à luta do povo chileno, devido a violação dos direitos humanos por parte do governo chileno. As lideranças estudantis encerraram a atividade entregando a pauta de reivindicações ao presidente da Câmara, pouco tempo antes do plenário da Casa aprovar o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), que visa o aumento da oferta de cursos profissionalizantes para estudantes do ensino médio.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

A fé dos brasileiros


Por: EVERTON PEREIRA
Em: Butiá Notícias (26-27/08/2011)

A Fundação Getúlio Vargas divulgou esta semana, um novo mapa das religiões no Brasil, construído com base na última pesquisa de orçamentos familiares do IBGE. Até a instauração do sistema republicano em 1889, a “certidão de nascimento” era a própria certidão de batismo, confundindo cidadania e nacionalidade com fé e crença religiosa. Com o fim do Império e o fim da oficialidade religiosa católica, aos poucos o laicismo foi se consolidando no Estado brasileiro, embora ainda persista algumas distorções, como a presença de símbolos religiosos em prédios e locais públicos, que de acordo com a lógica do Estado Laico, previsto na Constituição, não deve ter relação com nenhuma religião, para que possa justamente, estar aberto a todas elas, já que os impostos mantenedores do Estado, do poder público, é oriundo de contribuintes que professam os mais diferentes credos, ou mesmo nenhum.

A maioria dos brasileiros ainda é de católicos, mas a queda no número de seguidores é maior a cada ano. Em 2003, 74% dos brasileiros se declaravam católicos. Em 2009, o número caiu para 68,4%. A redução foi maior entre jovens e mulheres. O número de evangélicos subiu de 17,9% para 20,2%. Aumentou também o número de pessoas que afirmam não ter religião: de 5,1% para 6,7%. A pesquisa mostra, acima de tudo, que o Brasil é um país de diversidade religiosa e isso fica bem caracterizado nas capitais brasileiras. O Rio de Janeiro tem a maior proporção de espíritas. São Paulo concentra mais seguidores de religiões orientais. Porto Alegre e não a Bahia, como prega o senso comum, tem a maior proporção de praticantes de religiões afro-brasileiras. Vitória é a cidade mais evangélica entre as capitais. Teresina tem a maior proporção de católicos. E é em Boa Vista que há mais pessoas sem religião.

Uma das conclusões presentes no novo mapa religioso do país é que nos últimos vinte anos, as mudanças de religiões entre os brasileiros vêm sendo cada vez mais rápida. Antigamente as pessoas não mudavam tanto de religião e famílias inteiras tendiam a pertencer a uma única religião. Isso vem mudando com o passar do tempo. As pessoas não só sentem-se mais a vontade para pesquisar e “experimentar” o credo que mais se identifica como deixa os filhos livres para seguir o caminho espiritual que lhe convêm. A diversidade religiosa do povo brasileiro ao lado da diversidade cultural, étnica, política, esportiva, sexual e racial é sem dúvidas a maior riqueza deste país. Por isso, toda tentativa de domínio e hegemonia de qualquer grupo sobre outro deve ser combatido com veemência. Não há democracia sem diversidade e muito menos diversidade sem democracia. Praticar e vivenciar os ensinamentos de determinada tradição religiosa é algo que deve se limitar ao âmbito individual e ao grupo ao qual faz parte, jamais desejar que um dogma de determinada fé, seja compartilhado ou mesmo aceito pelo conjunto da sociedade.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Os negros e a ascensão social



Por: EVERTON PEREIRA
Em: Butiá Notícas (12-13/08/2001)

Segundo estudos divulgados esta semana pelo Governo Federal, a renda dos afrodescendentes (prefiro o termo afro-brasileiros, pois são brasileiros descendentes de africano, como os luso-brasileiro, ítalo-brasileiros, etc) triplicou nos últimos dez anos, principalmente na Região Sul do país. Em um país em que no mínimo quase a metade da população é afro-brasileira, nem um outro grupo social teve uma ascensão social tão nítida nos últimos anos. Embora a desigualdade racial ainda reflita a profunda desigualdade social existente no Brasil, na última década a renda dos negros aumentou no dobro da velocidade na comparação com a dos brancos.

Estes dados são resultados de uma série de políticas estatais que visam, desde o início do Governo Lula em 2002, diminuir a desigualdade racial e por consequencia, a desigualdade social brasileira. Ao invés de empurrar o problema para debaixo do tapete como historicamente aconteceu em nossa história, foi tomada uma decisão política de encará-lo de frente. O crescimento da renda da população afro-brasileira é atribuído principalmente a universalização da educação e as políticas sociais como o Bolsa Família, que atingem as classes menos favorecidas da sociedade, formadas em sua grande maioria por esta camada social.

As políticas afirmativas como as cotas nas universidades e a verdadeira revolução na educação brasileira proporcionado pelo Prouni, causou somente na Região Sul, uma migração de 1,32 milhões de pessoas para 3,3 milhões para a chamada classe “C” entre os anos de 1999 e 2009. Estamos longe de viver em uma democracia racial. Os negros ainda recebem os menores salários e ocupam os cargos hierarquicamente inferiores. São a imensa maioria nos presídios e nas periferias dos grandes centros urbanos. Mas com um olhar atento a este problema e despido de toda hipocrisia e de discursos rasos e pseudos “igualitários”, o país está avançando muito ns questões relacionadas as desigualdades raciais, que são no fundo desigualdades culturais, de fenótipo, históricas e é claro, sociais. Construir uma sociedade e um país onde a proporção de certos grupos étnicos na sociedade seja refletidos nos espaços de poder e de educação é o grande desafio para enfraquecermos a ideologia racista, que de maneira velada, ainda permanece entre nós.

Todos por Butiá

Por: EVERTON PEREIRA
Em: Butiá Notícias (12-13/08/2011)

O slogan que dá nome ou a identidade a atual administração que governa o município (que tive a honra e a sorte de criar a logomarca) desde 2005, nos remete à uma cidade que seria de todos. Uma cidade socializada, republicana. Com serviços públicos de melhor qualidade e com um governo e governantes comprometidos com o todo e não com a parte. Um governo democrático, transparente e popular. Um Butiá para todos significa criar as condições (ou tentar criá-las) para que o mínimo seja distribuído e ofertado de forma igualitária a todos. Sem considerar a cor, a raça, o credo, a tendência sexual, ideológica, ou seja lá o que for que nos torne pessoas diferentes, heterogêneas.

Na tentativa de munir o Estado - aqui falo no sentido de governo, de prefeitura neste caso – da capacidade de oferecer algo, serviços públicos de boa qualidade, esquecemos muitas vezes que quem compõe e “forma” este Estado, esta cidade, este Butiá que deveria ser de todos, somos nós. Nós todos! Com diferenças e semelhanças. Por isto, desta forma, embora as diferenças façam parte e fortaleçam a democracia e a diversidade (sua filha) as semelhanças e a união podem também gerar bons frutos, lindos filhos. Esquecer o que nos separa e fazer um exercício sincero e profundo na procura daquilo que nos une, poderá talvez não criar uma cidade para todos, mas todos por uma cidade. Todo por Butiá. Apostar em Butiá. Acreditar que o otimismo cria resultados mais sólidos e duradouros que o pessimismo. Que a união constrói um mundo e uma cidade melhor de se viver. Uma cidade com alta auto-estima.

Não quero aqui pregar o “totalitarismo” ou o chamado pensamento único, mas a esperança. Partidos são isso mesmo, partidos. Representam partes de uma mesma sociedade que deve e pode ser diversa, mas que nem por isso deve colocar o interesse das “partes”, de grupos ou de alguns, a frente do interesse e do bem estar da maioria. Torcer pela derrota de um projeto é fácil, difícil é apresentar alternativas realizáveis e concretas. Criar um ambiente político, cultural e social que de maneira fraterna torça muito mais para que todos nós torçamos por nosso município, pode ser mais inteligente, positivo e bonito do que construir discursos baseados no ódio, na inveja, na ignorância e no espírito antidemocrático. Acredito que todos por um mesmo Butiá fará de Butiá uma cidade melhor para todos. Pisamos todos no mesmo chão. Olhamos todos para as mesmas estrelas. Andamos todos pelas mesmas ruas. Por que não torcer todos por todos e por Butiá?

domingo, 31 de julho de 2011

O lugar dos idosos na sociedade



Por: EVERTON PEREIRA
Em: Butiá Notícias (29-30/07/2011)

Vivemos em um mundo, principalmente do nosso lado ocidental, em que o culto ao novo, a novidade e ao descartável ganha força a cada segundo. A padronização do “belo” torna-se um modelo seguido por todos, como se existisse somente uma forma de beleza, que quase sempre é vinculada a juventude e ao fenótipo característico do ocidente: branco, magro, alto, loiro. Mas será que sempre estes valores foram tão fortes em nosso meio? Sempre o futuro foi mais importante que o passado? Sempre o que é “velho” ou “usado” foi descartado em lugar do “novo” e da “novidade”? O que ocorre é que vivemos em uma sociedade massificada pelo consumo onde tudo vira mercadoria e como tal, para alimentar o sempre faminto mercado, deve ser substituído. Mas o que primeiramente deveria (ou não) limitar-se somente aos bens materiais acaba por estender-se também ao campo da vida social, da moral e da ética. Acabamos por não querer somente um novo carro a cada ano, ou uma nova roupa a cada semana. Mas também queremos sempre um novo amor, um novo amigo, um novo parceiro sexual, um novo animal de estimação. Vivemos em uma sociedade ansiosa pela mudança, pelo novo, por mais. Onde o “velho” e o passado perdem cada vez mais seu lugar ao sol.

Faço esta reflexão buscando trazer um pouco nossos olhares para os idosos. Idosos que talvez tenham seu arquétipo, seu símbolo maior, na imagem dos avós. No último dia 26 de julho comemoramos o dia deles. Dos pais dos nossos pais. Há não muito tempo atrás, eram reservados naturalmente aos idosos os acentos, os lugares nas filas, a vez na fala. Havia naturalmente, por educação e criação de família um respeito aos mais velhos. Isto porque se entendia que eram eles os guardiões do conhecimento. Eram eles, os mais velhos que sabiam como viver e seriam eles que ensinariam os filhos, netos e bisnetos a viverem suas vidas. Com o passar do tempo a velhice perdeu no mundo ocidental – diferente do mundo oriental onde a ainda persiste – seu aspecto de sabedoria e experiência e passou a ser sinônimo de “desatualização” e “senilidade”. Com isso, perdemos a oportunidade de aprender com os mais velhos, achando que por saber usar melhor um computador ou um celular que eles, somos superiores como seres humanos. Isto sem falar na ilusória busca pela eterna juventude, onde através de plásticas e próteses negamos a beleza da ordem natural da vida. Para ser belo, devemos ser jovens.

Nossa sociedade deve deixar um pouco de lado seu lado consumista e capitalista e olhar um pouco com mais atenção para outros povos e civilizações (como a nossa no passado) que tem nos idosos, os guardiões dos segredos do bem-viver. Nas sociedades africanas e indígenas, por exemplo, um dos crimes mais graves é desrespeitar um idoso. Da mesma forma no Japão a hierarquia social é estipulada pela idade, inclusive nos cargos públicos. Não quero aqui fazer um culto ufanista ao passado e a tradição. Nem negar o papel do desenvolvimento e do novo para a melhoria de nossas condições de vida. Mas dizer que ouvir com atenção os mais velhos, nunca é demais. Parabéns a todos os vovôs e todas as vovós pelo seu dia!

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Todos por Butiá

Por: EVERTON PEREIRA
Em: Butiá Notícias (22 e 23/07/20011)

O slogan que dá nome ou a identidade a atual administração que governa o município (que tive a honra e a sorte de criar a logomarca) desde 2005, nos remete à uma cidade que seria de todos. Uma cidade socializada, republicana. Com serviços públicos de melhor qualidade e com um governo e governantes comprometidos com o todo e não com a parte. Um governo democrático, transparente e popular. Um Butiá para todos significa criar as condições (ou tentar criá-las) para que o mínimo seja distribuído e ofertado de forma igualitária a todos. Sem considerar a cor, a raça, o credo, a tendência sexual, ideológica, ou seja lá o que for que nos torne pessoas diferentes, heterogêneas.

Na tentativa de munir o Estado - aqui falo no sentido de governo, de prefeitura neste caso – da capacidade de oferecer algo, serviços públicos de boa qualidade, esquecemos muitas vezes que quem compõe e “forma” este Estado, esta cidade, este Butiá que deveria ser de todos, somos nós. Nós todos! Com diferenças e semelhanças. Por isto, desta forma, embora as diferenças façam parte e fortaleçam a democracia e a diversidade (sua filha) as semelhanças e a união podem também gerar bons frutos, lindos filhos. Esquecer o que nos separa e fazer um exercício sincero e profundo na procura daquilo que nos une, poderá talvez não criar uma cidade para todos, mas todos por uma cidade. Todo por Butiá. Apostar em Butiá. Acreditar que o otimismo cria resultados mais sólidos e duradouros que o pessimismo. Que a união constrói um mundo e uma cidade melhor de se viver. Uma cidade com alta auto-estima.

Não quero aqui pregar o “totalitarismo” ou o chamado pensamento único, mas a esperança. Partidos são isso mesmo, partidos. Representam partes de uma mesma sociedade que deve e pode ser diversa, mas que nem por isso deve colocar o interesse das “partes”, de grupos ou de alguns, a frente do interesse e do bem estar da maioria. Torcer pela derrota de um projeto é fácil, difícil é apresentar alternativas realizáveis e concretas. Criar um ambiente político, cultural e social que de maneira fraterna torça muito mais para que todos nós torçamos por nosso município, pode ser mais inteligente, positivo e bonito do que construir discursos baseados no ódio, na inveja, na ignorância e no espírito antidemocrático. Acredito que todos por um mesmo Butiá fará de Butiá uma cidade melhor para todos. Pisamos todos no mesmo chão. Olhamos todos para as mesmas estrelas. Andamos todos pelas mesmas ruas. Por que não torcer todos por todos e por Butiá?

quarta-feira, 6 de julho de 2011

A crise grega: causas e efeitos




Por: EVERTON PEREIRA
Em: Butiá Notícias (01-02/07/2011)

A falência da Grécia e a submissão à política econômica do FMI, corresponde, em parte, ao resgate dos bancos europeus. A situação do Estado grego demonstra também a vulnerabilidade dos bancos americanos em relação a uma possível falência da zona do euro. Pode-se afirmar que a crise da dívida na Grécia e a consequente falência do país, corresponde, em parte, à falência dos bancos europeus. Só na França e na Alemanha, os bancos detêm cerca de 90 bilhões de dólares em dívida pública e privada grega. O Banco Central Europeu também detém dívida pública grega, e o medo é que o padrão de perdas na Grécia possa ameaçar toda a Europa. Os bancos dos norte-americanos também se encontram numa situação vulnerável. Se a Grécia entrar na bancarrota, um banco dos EUA que detenha CDS (“credit default swaps", derivados de crédito graças aos quais os bancos se seguram contra o risco dos seus devedores) sobre títulos de dívida grega, de um banco europeu, terá também de pagá-los. Os CDS são o tipo de derivativos que estão por detrás da implosão da American International Group e do efeito dominó que se seguiu no sistema financeiro global. A crise grega pode gerar uma nova crise internacional.

Quer sejam ou não os bancos americanos vulneráveis a esta crise, certo é que os derivativos financeiros se encontram ainda muito desregulados. As reformas financeiras que supostamente deveriam melhorar a transparência e reduzir a especulação que criaram a crise financeira internacional, ainda não foram implementadas. A incerteza é maior quando se considera que os CDS são apenas um tipo de derivados financeiros que ligam os bancos em todo o mundo.

A Grécia será ajudada enquanto os políticos acreditarem que a alternativa poderá ser o colapso de todo o sistema da zona euro. Na quarta-feira o Parlamento grego, contra a imensa maioria do povo grego, aprovou medidas de austeridade dolorosas que colocam o país de joelhos frente ao FMI (a exemplo da América Latina dos anos 90) e praticamente acabou com a soberania do país. No país onde nasceu a democracia, presenciamos o limite democrático da lógica do capitalismo financeiro internacional. A crise da dívida grega é um lembrete do quão pouco mudou realmente desde a explosão da última crise econômica e do quanto está ainda para ser feito para evitar que tudo volte a acontecer de novo. Por sorte dos brasileiros, graças as políticas anti-liberais e de fortalecimento do Estado perante a economia, tivemos, por aqui, por enquanto, somente marolas.